Pequena Abelha, de Chris Cleave – por Thaina Chamelet

Todas as vezes que me perguntavam qual era o livro que mais havia me marcado ou qual era o melhor que eu havia lido, sempre respondia, demorando um pouco para dar um ar intelectual de quem já leu muito e não sabe ao certo, que era sem dúvida “A menina que roubava livros”, sempre gostei muito dele, da forma como era narrado, dos personagens fortes e da trama sempre surpreendente e capaz de te fazer afogar em lágrimas e sentir que sua vida é fácil e doce perto do que poderia ser.

Isso mudou.

Mudou por muitos motivos, pudera, li tantos outros livros igualmente maravilhosos, cresci também, mudei junto dos meus gostos e adoro pensar em como este ou aquele livro marcaram e provocaram mudanças em mim e no meu mundo.

Hoje, porém, pensando em sobre qual livro gostaria de falar, pensei, poderia ser um dos que estou lendo agora… Poderia sim, estou lendo um livro fantástico, “O perfume”, mas como ainda não o terminei, resolvi apelar e me perguntei “Qual o meu livro preferido hoje?”

Veio-me a memória a seguinte passagem:

“Fomos para uma casa de veraneio na beira da praia e tomávamos rum e limonada, e conversávamos tanto que sequer notei qual era a cor do mar. Sempre que preciso lembrar de quanto amei Andrew um dia, basta pensar nisso. O fato de o oceano cobrir sete décimos da superfície da terra e ainda assim meu marido ter conseguido me fazer não notar tal coisa. Era a dimensão dele na minha vida. […] Mas meu Andrew morto¿ Ainda me parecia fisicamente impossível. Em determinado momento da minha vida, ele ocupara mais de sete décimos da superfície da Terra.” (Página 40 à 47)

Por esse trecho você poderia facilmente julgar, um romance bobo ou um drama chato, mas não! Juro que não é nada disso, seria complicado e uma perda de tempo tentar classificar esse livro em qualquer tipo clichê que enchem as prateleiras por ai, não é um água-com-açúcar, nem um livro de vampiros ou anjos, ou qualquer outro tipo de romance e drama gótico, de memórias ou naquele estilo diário. Ah! E também não é um livro infantil, como já me perguntaram por causa do título, longe disso. É o tipo de livro que se vale de pequenos detalhes cotidianos, fazendo que a memória das personagens, que, aliás, são muito bem trabalhadas, sejam quase que incorporadas á nossa própria maneira de ver o mundo.

Quando cheguei as ultimas folhas e vi que seria mesmo assim, fui tomando conta para não molhá-lo de minhas lágrimas curtindo cada palavra entrar em meu espírito como uma lufada benéfica de pura arte e sabedoria, lentamente, adiando a despedida.

Agradeço a esses autores iluminados por qualquer tipo de magia suprema e que trazem a luz, em recortes encadernados de papel, pedaços de alma.

Não vou dizer do que se trata, até porque existe meio que um acordo entre mim e o livro de que não estragarei a leitura dos outros: “Não queremos lhe contar o que acontece neste livro. É realmente uma história especial, e não queremos estragá-la. […] Depois de ler este livro, você vai querer comentá-lo com seus amigos. Quando o fizer, por favor, não lhes diga o que acontece. O encanto está sobretudo na maneira como esta narrativa se desenrola.”

Posso fazer destas, as minhas palavras.

 

Pra quem se interessar:

Titulo: Pequena Abelha

Autor: Chris Cleave

Editora: Intrínseca

Ano: 2008

 

Meu email é naitha_pops@hotmail.com, qualquer dúvida, comentário, crítica ou sugestão (ou se só quiser conversar mesmo) será bem aceito e respondido com todo o prazer.

Boa Leitura!

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por resenhasdecabeceiras

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